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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Pausa || Para o Necessário

Pausa || para o Necessário

Necessário é ter bom humor, brincar com as palavras, fortificar-te nos trocadilhos dos acasos mais sérios como o humorista se ri à gargalhada com cada piada inventada. Necessário é ficar alegre, com as pequenas coisas que te acontecem e aproveitar o encanto de cada dia. Necessário é ter bom alimento, cultivar a tua nutrição e assimilar que é de dentro para fora que te completas. Necessário é exercitar o corpo e ser o atleta que vence cada meta que se impõe superar. Necessário é estimular a mente e expandir todo o potencial do teu universo cerebral. Necessário é aproveitar as coisas que não têm preço. Necessário é ter bom pensamento em cada momento. Necessárias, são as emoções… os sentimentos e o amor sentir onde nos leva o seu movimento. Necessário e persistir e jamais desistir no que acreditas ser a tua identidade. Necessário é o hábito que te molda pelo caminho. Necessário é o “insiste” naquele instante que só faz sentido depois. Necessário é o que te faz sentir vivo. É o necessário

Celino Lopes Barata.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Pausa || Nada

 



Pausa || Nada

Onde está o Nada!? Já te perguntaste onde reside o nada? Se será visível ou possível de mensurar? Possivelmente teremos de ver com outros olhos, com olhos de quem observa de verdade e saber esperar pela sua vez; para distinguir - de entre as múltiplas hipóteses - qual será o teu nada. E se bem pergunto, qual é o teu nada? Conheces o teu nada? Já abriste a porta do nada, ou ainda tens medo do escuro ou do vazio que tens de encarar para o atravessar? Parece importante e fundamental estar no vazio e senti-lo inteiro. Qual é o nada que tu valorizas? Aquele nada para o qual uma maioria trabalha arduamente, na esperança de um dia fazer nada. Que nada é esse que leva à questão: se pudesses não fazer nada, que farias?! Será que o nada que existe é o mesmo nada que vive numa bola de sabão onde residem todas as cores do arco-íris? Esse nada tão especial e essencial à vida, fonte de vida com nascente própria, um recurso inesgotável, tão grandioso quão precioso, que nos leva ao começo do tudo. E é mesmo aí, mesmo onde tudo nasce… O vazio fértil, o clímax cresce e leva-nos até ao ponto orgásmico sem retorno, onde explode a “pequena morte”. É aí que se alimenta a vida e os sentidos entram em desordem sinestésica qual brilho do Sol no crepúsculo repartido infinitamente pelas estrelas... De repente tudo nasce e renasce à luz do novo, a semente germina na primeira folha tão translúcida quanto delicada, com a certeza que vai florescer com o pantone inteiro das cores mais nítidas e vibrantes. Celino Lopes Barata

 

Celino Lopes Barata



 


Celino Lopes Barata

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Pausa || Descoberta

 

Pedra D`hera - Fundão

Pausa || Descoberta

Existem lugares onde os teus sentidos se arrepiam no contemplar do simples. 

Na naturalidade da dança, vês a coreografia da Fauna namorando a Flora, num ato de polinização que transforma em poema o parto eterno e erótico da Mãe Natureza.

Hoje ainda escutas o pulsar do mundo e sentes-te privilegiado/a por vibrar com ele sintonizando com o que tem para te contar.

Na cadência sábia da espera, observas como se enfileiram as estações. Reparas como a Primavera se veste de princesa e te seduz para a prova dos frutos já adoçados. 

Ali tão perto, afinal existem florestas, matas e bosques e neles habitam todas as respostas para todas as perguntas… neles moram ainda todos os encantos. Vens descobri-los?

                                                                                                                                     Celino Lopes Barata

"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas"
"Quiero hacer contigo lo que la primavera hace com los cerezos"
Pablo Neruda - Poema 14. 



segunda-feira, 26 de abril de 2021

Pausa || Para o Luto

 


Pausa || para o Luto.

Sendo o Luto um processo contínuo para a vida, o falecimento ou a perda de alguém amado traz consigo a dor psicológica, esta obedece a cinco fases que nem sempre vêm por ordem e podem se confundir com o número de dedos das mãos, por isso é essencial fazer Psicoterapia, para que os conhecimentos da Psicologia possam fazer o seu papel, no auxílio na libertação desse pesar e que a vida volte a ser  vivida com o seu real sentido.

Na minha experiência profissional, estive em contacto  com mais de uma centena de pessoas com Lutos por fazer, o sucesso é  garantido muito pelo empenho das pessoas no envolvimento dos seus processos psicoterapêuticos. Hoje penso que será importante deixar um exercício de escrita de uma carta a um Pai, que funciona como catarse emocional.

Olá Pai, escrevo-te passado 25 anos sem a tua presença física. Esta vontade de escrever pela primeira vez cresceu-me no pensamento por me encontrar próximo da idade que partiste, não sei o que dizer, como se as palavras se dissipassem no papel, neste quarto de século sem ti só sei que nunca mais fui o mesmo.

Foi um estrondo avassalador, bem superior ao Mar naquele dia, mesmo assim determinados fomos apanhar aquela onda que nos enrolou aos dois, só passado algum tempo me veio o sorriso num misto de perigo, respeito, despertar e amor maior aos presentes da natureza.

Uma das tuas grandes preocupação era o teu amor à Mãe, outra força da natureza tão bela, é óbvio o porquê da tua e vossa tremenda paixão, ela está sempre com o seu sorriso maravilhoso que herdei e orgulhosamente o demonstro, sei que possivelmente foste tu que lhe encaminhas-te o enorme companheiro,  também Artista, meu segundo Pai com enorme gratidão.

De ti tenho tudo para além das aprendizagens, a minha grande herança és tu em mim, é um orgulho ter partes das tuas feições nos gestos, no jeito, a tua sensibilidade no humor que demora a perceber por fazer pensar, e sobretudo o sentido do belo na visão de arte e estética. 

Sabias bem do efeito das tuas obras de Arte, para a mente e o que desencadeia no cérebro de quem as observa. Ainda hoje cheiro tu a afiares os lápis de carvão com as tuas mãos, as mãos mais bonitas de homem que já conheci, afiavas com afinco sempre com uma navalhinha para fazeres os teus desenhos e projetos, ainda soa as tuas roladas e pinceladas na conjugação das cores das tintas aplicadas nos materiais reutilizados. Mostras-te que não basta ter talento, é essencial ter tenacidade e persistência na evolução  diária, aplicavas o teu plano concreto e realista nos teu sonhos, sem esta visão, um sonho não passaria disso de apenas um sonho, e vão ser sempre poucas as paredes para expor tremendo dom, bem visível na obra que deixas-te. 

Ainda pequenino ia ajudar-te nas tuas obras e ficava a observar a forma como executavas cada  pormenor, lembro que uma simples lareira era mais que um símbolo de calor e conforto, era uma autêntica peça de arte que qualquer pessoa comentava e apreciava, ainda hoje tenho diálogos com pessoas agradadas da perfeição na realização dos teus feitos.

Eras exímio em mais de 7 artes, sou um privilegiado ter herdado tanto de ti até no traço da escrita. O bom gosto pela verdadeira Música 70/80 Rock e o Fado em vinil no teu prato portátil na tua altura fazias a festa em qualquer garagem para as pessoas dançarem. Lembro de perguntar, o que estás a pensar? Estava quase sempre a pensar em algo para dares asas à tua criatividade, até a resposta às explicações do porquê da escolha do meu nome, a minha reação foi logo uma gargalhada e passei a adorar nesse momento. Sim, já encontrei livros com personagens com meu nome, não sei se era o que te referias, percebi mais tarde que era mais uma estratégia para me incentivar a ler e assim aumentar o conhecimento e a biblioteca com os melhores. 

Já agora, por estar ligado ao nome confesso-te que tive dificuldade em escolher a minha profissão, pela vasta sanguinidade de “dons” pessoais e familiares, e sabes, escolhi a melhor do mundo, identifico-me na plenitude, mais que a prevenção e a cura dos desequilíbrios da mente, dos afetos e emoções, permite-me conjugar todas as áreas e realizar os sonhos de pessoas que me consultam num querer crescente na sua própria evolução.

Uma das tuas especialidades são os ladrilhos por vezes reutilizados, eram transformados em painéis tipo (Gaudí). Soube mais tarde que foste Mestre de muita gente artista dos ladrilhos, notável é ver que um chão para ti era uma nobre tapeçaria, que autodidata que tu és também bem marcado em quadros. 

Quadros como este intitulado “Em Defesa da Família”. Que bela mensagem a defender a família sem usar a violência, e sim a diplomacia, o diálogo e o respeito que sempre mostras-te no teu caráter, sabias bem que a autoridade parental é do tamanho do vínculo afetivo, tão delicado, sensível e tão forte neste espaço temporal.

Que forte foste aqui fisicamente e psicologicamente, sabias o futuro que te reservava e ias falando dele, sempre com humor inteligente sobre a luta do pêndulo paciente || impaciente, na passagem do tempo com o teu sábio e incrível sorriso amável. 

Uma das coisas que mais me impressiona é a nossa última conversa, de certo não tinha a maturidade suficiente para a entender e atuar, só na altura certa, de tão complexa que era na simplicidade das tuas palavras, logo num dia que não era para te ver. 

Ia trabalhar de tarde no café nas quartas e sextas livres de escola, avisei para não contarem comigo, nesse tempo, por iniciativa própria, disse ao Amigo Das Neves em jeito da habitual comédia , que queria ir à boleia para Castelo Branco, veio comigo e só lá lhe disse que eu ia estar contigo, não estavas à espera e a nossa conversa foi improvável e sem saber, tudo o que falamos, está e irá acontecer.

O último gesto foi o teu clássico piscar de olhos sedutor que nunca vi em mais ninguém, em conjunto com o gesto do filme do momento que não vimos juntos que só deu mais tarde na TV.  Ao fundo do corredor da ala hospitalar, ainda voltei para trás, no querer te dar mais um beijo e confessar só mais um segredo somente para nós, a Sra. Enfermeira disse que tinha mesmo de sair. 

Estaríamos no fim de semana, vinhas a casa. Nessa sexta de tarde, ainda festejas-te o dia da liberdade com os teus amados cravos, sempre ora vermelhos ora brancos, era o teu sinal de liberdade até ao dia da libertação. Já a aguardar-te, entretanto estava a servir bebidas e do nada escorregam pelas minhas mãos dois copos em simultâneo, estranhei por ser raro quebrar algo, só me lembrei daquele pote precioso que parti aos cinco anos por descer o corrimão de pernas abertas, aí aprendi bem a lição. Soube nesse momento, que foram aqueles os últimos gestos e a última palavra que partilhámos presencialmente.

Como a avó dizia, vamos falando e não é só com os botões. 

Independente do que acredito, sinto-te e vejo-te.

E o traço da tua obra irá sempre continuar…

Sou um privilegiado ter-te como Pai.

Aquele nosso Beijo e Forte Abraço.


                                                                                                                                     Celino Lopes Barata

                                                                                                                                             26/04/2021

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Pausa || Tempo

 A

Pausa Mente || Tempo 

Ideia genial de dividir o tempo em anos, industrializou a esperança. Repartiu o em doze meses, estes são suficientes para nos por a funcionar no limite da exaustão e fazer com que qualquer um se entregue.

Nomeados com os conceitos das estações, como de uma viagem de tempo se tratara, encantada pela atração lunar até ao despertar solar.
Sabiamente criou o chamado milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar, que daqui para a frente, tudo será diferente e bem melhor.
Já não tocam as badaladas, é notificado o aviso do inteligente relógio marcador de registos de cada respiração, e nela existe a espera, das pequenas e grandes conquistas, como o passar da hora, para ir ou sair do trabalho, o tão aguardado fim de semana e para breve o festim do almejado aniversário.
Que comemorem os tristes, as fases ilusórias, nelas fazem do tudo um problema e a antecipam.
Príncipes da “achologia”, assim o querem, que a vida passe e acabe rápido, e a vida acaba.
Os felizes façam o favor de vender caro a derrota. A felicidade dos felizes é isso mesmo um progresso, que testa a resistência e resiliência à finitude de cada instante da vida.
Tempo é o teu passado, está a acontecer o teu presente e será o teu futuro, tempo que bem precioso que ainda és.


Celino Lopes Barata

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Pausa || Para Conseguir || Pausa Para Seguir




Pausa || Para Conseguir.

Se sentes que é teu, é certo que vais conseguir.
Tocar o que te faz sonhar.
Por algum ponto terás que começar.
Da tua definição global à particular.
Se o teu objetivo está a ser Concreto.
Objetivos "C.R.Ava." sigla para qualificar: Se contigo é Realista.
Quando nada e ninguém te faz acreditar.
Diariamente o terás de Avaliar. Vais ver que mesmo no dia mais difícil.
Respira, serena e deixa te literalmente ir. Se é mesmo teu, vais conseguir. Celino Lopes Barata Pausa || Para Seguir

E libertar essa dor que te cura.
Segue em frente na projeção futura. Memória que queres ver acontecer. É uma luta que queres vencer.
E o ponto com forma de desejo de chegar.
Ergue-te com o olhar que te faz crescer. Entre o conseguir e o caminho a seguir. Existe o ponto que te faz partir.
Como ser livre que se quer libertar.
Cabe - te a ti saber o que te faz realizar. Luta pela energia para te alcançar. É o teu presente, o encontro contigo.
Para seguir, seguir o que foi, é, e será.
Celino Lopes Barata

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Pausa || Para Amar




Pausa || Para Amar

Amar o todo e a peculiaridade de alguém em particular.
São pássaros de peito que se querem libertar.
Estrelas e sois que de olhos serrados se querem vislumbrar.
Beijo de soslaio que ao luar faz cantar.

Em verdade acontece sem se preparar.
São suspiros e "aís" que pairam no ar.
Sensibilidades e alegrias que fazem chorar.
Emoções que preenchem quem se sente a amar.
Vertigem vibrante de quem se está a entregar.

Medos confiados no caminho a viajar.
Renasce diariamente a árvore que quiseram semear.
Terreno batido a dois para solidificar.
Juntos em qualquer lugar, serão sempre um Lar.
Celino Lopes Barata

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Pausa || Para Acreditar




Pausa || para Acreditar
Acreditar em que!? Todos os caminhos começam de um início. Passo a passo onde acontece o crédito e descrédito. Sempre superior ao económico, será o moral. Como dois pratos da mesma balança. O que faz o pêndulo balançar? O que nos faz acreditar? E acreditar em quê? Em quem? Só pode ser no que nos faz avançar! Fazer crescer, o nosso ser. É um exercício de equilíbrio que exige movimento. Adaptações como aprender a arte de patinar. Só consegue realmente, quem consegue desligar. Desligar para concentrar na unicidade. E é nessa especificidade, única e pessoal. Que encontras o teu dom em potencial. Seja interna ou externa a força de acreditar. Mostrar a coragem e a audácia. De se sentir. E de se amar...

terça-feira, 7 de maio de 2019

Pausa || Para o Belo





Pausa || para o Belo Beleza onde estás? Em todo o lugar tu estás. Nasce e renasce em cada um a forma de observar o belo. O seu conteúdo está em cada objeto material ou imaterial. Que pode residir na simplicidade de um gesto ou em uma acção simples. A beleza do belo será sempre simples. Facilitadora da abertura mental como uma arte que abre um novo prisma, a perspetiva de sentir o mesmo presente existente, e pelo belo existirá ainda uma nova descoberta da transformação e evolução dele. O belo que é belo fará sempre vibrar a tua mente e compensar o descompasso do teu coração, e é aí que vais absorver o que tem realmente para te fazer sentir. Teorias indústrias de estética alteram os padrões e influenciam o belo a cada segundo, criticam e o descrevem de várias formas. A questão será sempre a mesma, como tu realmente o sentes!? Para se sentir o belo é preciso experimentar uma relação de leveza e plenitude em alegria no sentido de bondade que faz bem e incentiva a quem o faz. Belo para quê!? Porque sim!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Pausa | | Olhar que Sorri




Pausa ||

Olhar que Sorri.
Olhar que revela mais segredos que a boca pode falar.
Foi ele, é ele, que faz a proximidade com os elementos essenciais à vida.
Nascente de água doce tão fresca como o mergulho naquele mar salgado de erosões, e é mesmo lá na sua profundidade que é permitido encontrar os microorganismos puros eventos de oxigenação, tão ricos e nutritivos quão misteriosos e únicos, estes talvez os únicos princípios de seres livre de plasticidade, seres tão simples e elementares de grandeza do nada que pode ser tudo, são eles que contêm o segredo poderoso da nascente maior e primitiva da vida.

Sim é lá que residem todas as cores, por residir lá o preto mais preto tal como o branco mais branco de ausência e existência de luz, e também o silêncio mais silencioso por se fazer sentir o eco de todos os sentidos da vida e imergem à tona o elevar tão leve quão invisível a nuvem que devolve o que lhe permites receber e ai viver.
Viver o belo, elemento humorístico de ser.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Pausa || Mente para ter Qualidade de vida



Pausa || Mente para ter Qualidade de Vida

Qualidade de Vida


Quem não quer ter mais qualidade de vida?

Pois bem, vou abordar breves conceitos através dos quais podemos aprimorar a qualidade de vida, a perceção que um indivíduo tem sobre a sua posição e a influência dos seus valores e padrões culturais, objetivos, preocupações e expetativas.

Desde já importa referir que é comum confundir Qualidade de Vida com Padrão de Vida, sendo que este é, simplesmente, uma medida que calcula a qualidade e quantidade de bens e serviços disponíveis. Politicos insistentes, criam obras e requalificam as cidades para aumentar o padrão de vida. E valorizar o conhecimento e sabedoria do capital humano? Sendo esta a maior riqueza, que tem este pais dos défices com derrapagens orçamentais com constante aumento da dívida pública, mesmo com CR7 da Economia, esta é sustentada pela cultura do é normal dever, pago a crédito para pagar o crédito da própria divida.

Na era global de ostentação e consumismo onde as ações e a forma de comunicar influenciam tudo e todos, (“ai! que sapato! vou comprar é tão barato”, não importa se foi feito por uma criança sem infância nem ensino básico)” tal comportamento fica visível pelas 80 mil toneladas de plástico que dão à costa no Oceano Pacífico e pelas revoltas constantes da Mãe Natureza. É a Natureza a acontecer ela é sabia e mostra-nos tudo, reparem após o flagelo dos incêndios, os furacões, terramotos e tempestades, como a Leslie, que abalou, inclusivamente, a boa onda do Cabedelo e as suas gentes que surfam com um estilo de vida onde imperam atitudes de consciência residual.

Consciência de consumo e economia dos recursos precisam-se. Estamos a ser tomados e dominados pelo paradigma em que somos aquilo que podemos comprar e a qualidade de vida, com a sua subjetividade inerente, parte do princípio de ser o que sentimos e o que fazemos sentir.

Qualidade de vida é tornar a vida numa existência leve e descomplicada, é fazer o que nos dá prazer, sentir satisfação ao ser agradável consigo e com os outros, com alegria, saúde e bem-estar.

Qualidade de vida é alimentar as necessidades fisiológicas e ergonómicas, criar hábitos que promovam e mantenham a funcionalidade e vigor do corpo, do mental, emocional e do social, é o aprimoramento e desenvolvimento das nossas habilidades, através da boa alimentação, boa forma física e bom cérebro.

Qualidade de vida é relacionar-se de forma descontraída, ética e responsável com o meio ambiente e o meio sociocultural, procurando compartilhar e interagir, partilhando sempre a generosidade, elegância, respeito e carinho dos nossos relacionamentos, enraizar um conjunto de valores que incluem boa cultura, boa cidadania e boa educação.

Qualidade de vida é aprimorar a visão do mundo que nos faça querer procurar o desenvolvimento e o aprimoramento contínuos, conquistando a nossa excelência através do bom senso, estudo, ideais, enriquecendo o conhecimento e o autoconhecimento.

Qualidade de vida é saber que um pensamento racionalizado pode gerar um sentimento, emoção com resposta fisiológica criando uma realidade física em tempo real. Por isso, qualidade de vida é, também, pôr em prática o bom pensamento.

O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA SI?

Imagine-se no controlo da sua vida.
Podemos trabalhar desenvolvimento corporal.
Desenvolvimento Mental
Criar a gestão emocional e mental necessárias para construir a Melhor Versão de Si Mesmo.
Quer ter mais qualidade de vida, venha fazer uma Pausa II Mente

Até Breve.
Celino Lopes Barata.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pausa || Para Ser Atento


Pausa || Para Ser Atento

Atenção é um precioso mecanismo limitado no tempo e na sua capacidade de fluxo de informação sensorial que, por sua vez, depende da motivação do ou dos interlocutores, pois sem a atenção devida a uma determinada situação não existem aprendizagens novas ou consolidação das anteriores a esta.  
A atenção é uma atitude psíquica, na qual há seleção de determinados estímulos em detrimento de outros, funcionando como filtro de algumas informações do meio ambiente. Ela dirige o nosso comportamento e está sempre conectada com o grau de consciência de cada pessoa. 

Existem situações patológicas ligadas à fisiologia morfológica da pessoa, mas não confundir com os deficits atencionais muitas vezes rotulados para a vida, por momentos agitados de um ser inquieto por prismas do saber que vá ao encontro da sua identidade e não somente concordante dos métodos curriculares que um sistema impõe  como o mais correto e como verdade absoluta. Na maioria das vezes são pessoas altamente criativas e a sua energia deve ser sabiamente conduzida para o sentido da produtividade.   

O estudo da atenção foi interpretado quase como uma ciência exata com as 3 premissas bases apresentadas, o limite temporal “a atenção agradece pausas que reforcem a atenção a cada 20 minutos entre tarefas”, a clareza do fluxo informativo “a mensagem deve ser clara e evidente sem ruídos distratores” e a motivação “interesse pessoal”, em que os seus aficionados dogmáticos creem que o mundo da criatividade não tem nada a acrescentar, nada de valor, a fórmulas que sempre assim foram e serão.  

Crença à parte, alargar o espetro da atenção aos mais variados domínios será benéfico para todos, como ter a capacidade de uma atenção geral e introspetiva, assim como ter a visão de um drone com observação através de imagens extra estratosféricas e, ao mesmo tempo, intrapixelizada do teu mundo, sem perder definição da tua realidade, sim é um exercício complexo, mas simples ao mesmo tempo, por acrescentar atenção consciente a tudo o que realizamos. Permite assim observar com atenção o nosso comportamento através de uma ótica externa e com a tua genuína compreensão dos teus processos intrapsíquicos.  

Poderíamos falar da atenção de vários prismas polarizados  às  formas de a utilizar, tal como da constante mendigação da atenção eminente nas redes sociais, mas talvez fique para reflexões pessoais futuras. 

Este é considerado o melhor tempo de sempre pelas descobertas científicas tal como a velocidade de conhecimento disponível, mas o desafio é constante e o maior é para quem não foi “treinado” a pensar de forma crítica e a construir o seu próprio conhecimento. Onde fica o poder crítico pessoal e genuíno e a suposta criatividade em tudo o que se faz, ter incentivos para o debate e aceitar sem reservas opiniões divergentes seria benéfico ter atenção ao que importa, sem a filtragem dos interesses do mediatismo dos “media”. Ter atenção à questão pouco lucrativa, mas de grande eriquecimento que é o “ser”, e ter tempo necessário para o cultivar e o recriar. 

Fazer uma pausa para ser atento ao que realmente importa e o que poderá ser o futuro da humanidade parece ser uma utopia nos dias de hoje e uma consequente perda de tempo. Ter a noção que o vício dos “media” desvia tempo e atenção da experiência imediata do ambiente que nos rodeia para ter uma experiência do utilizador mediada por uma grande variedade de dispositivos eletrónicos. 
Importa agora fazer um exercício atencional que exige alguma prática, o ter atenção ao aqui e agora onde estás e o que tens para fazer no momento, sem condicionalismos do nosso antes e de um depois que poderá vir. 

Ser observador de nós mesmos em cada tarefa é um exercício de grande utilidade e enriquecimento pessoal. A entrega, por exemplo, a exercícios de arte que projetam a criatividade como desenhos ou pinturas de Mandalas a ouvir música agradável é altamente promotor de uma conetividade a um foco atencional que poderá dar abertura a um mundo de possibilidades atencionais com o poder de criar futuras ligações cognitivas.  
                                                                                                                           
                                                                                                                                                                             Celino Barata

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CellB17


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pausa para Pensar || Pensamento Original





Pausa para pensar || Pensamento Original

O pensamento é como o batimento cardíaco e a respiração, inconscientemente ele nunca para, mas, por vezes, ficamos sem respiração ou com a sensação de arritmia, tal como o pensamento. Este, por vezes, finta-nos, prega-nos partidas, quando temos tudo para estarmos felizes, há, subitamente, um pensamento negativo que nos assombra a dizer “não vais conseguir”, “a sorte não está do teu lado”, “para quê tentar”.

Pois bem, existe um exercício prático muito simples, mas exige alguma atenção e dedicação, antes de se tornar mentalmente evidente é preferível apontar no papel, em forma de grelha, na primeira coluna descrever o pensamento negativo que ocorreu, na segunda coluna escrever as evidências da realidade desse pensamento e, na terceira coluna, apontar possíveis pensamentos alternativos sempre que esse pensamento negativo ocorrer.

Para que o pensamento alternativo seja o dominante, ou seja, o motivador em fases decisivas da nossa vida, é importante fazer este exercício de pensamento mental.

O pensamento é livre, ou melhor, livre não é sinónimo de liberdade, livre de regras, de filtros e restrições da forma como se deve pensar, para adquirir um pensamento que se quer libertador por si mesmo, temos um longo caminho que se faz diariamente, através de pequenos exercícios que questionam a própria realidade das coisas.

Porque nem sempre percecionamos o que está mesmo à nossa frente. Por vezes, vemos o que queremos ou estamos predispostos a ver, convencidos de que aquilo que vemos é tudo que há para ver. Mas quem garante que estamos a ver de um ângulo ou uma direção que é a mais correta para a situação em causa?

Repara, há mais que uma forma de pensar/observar um problema. Naturalmente, é fácil negligenciar a forma mais produtiva ou criativa de lidar com as coisas. Quando habituados a problemas simples e nos deparamos com algo mais complexo e que parece irresolúvel é necessário dar ênfase a uma nova abordagem, para acionar a ignição para prosseguir a linha do pensamento até chegar a uma solução satisfatória.

Muito se fala em pensar fora da “box”, mais um ”cliché” dos “Mental Coching”. Como não aprecio frases ou teorias pré-feitas, esse conceito e outros subjacentes ao pensamento divergente e criativo, em que, ao fazer um “Brainstorm” de ideias, estas se tornam, novamente, concretas, assim que existe uma abertura, ou seja, uma filtragem das ideias mais irreais, supostamente fica apenas a que seja aceite e viável e, mais tarde, vendável como se de uma ideia de negócio se tratasse.

Prefiro não nomear ou rotular formas de pensar, mas se for que seja um pensamento fora do mundo do nosso e dos outros, sem sofrer influências; porque as nossas experiências determinam o que vemos, se possível; que seja algo original com essência própria, seria o “pensamento original” que deveria questionar as estratégias a forma como olhamos o mundo, para descobrir soluções inesperadas, pensar novas direções. Não há chaves no mundo da estimulação cognitiva mas, se houver, uma delas é compreender a perceção, tal como os mágicos fazem quando fazem acontecer a magia mas, como em tudo, é preciso sinceridade e acreditar na sua possibilidade.

O porquê do pensamento original? Porquê pensar de forma diferente da habitual!? O porquê de percecionarmos as coisas de forma particular? Por que há coisas que nos escapam? Como ver através da melhor perspetiva para cada situação? Como adquirir esta sensibilidade para percecionar e aceitar a diferença de pensamento sem preconceitos?

Por haver questões que ultrapassam as regras, como as do xadrez que obedecem às regras do jogo, e é com aquelas que o jogador tem que lidar para ganhar o adversário, jogada após jogada. Existem questões em que temos que pôr de lado conceitos e regras para descobrir outras opções, outras questões ou ver se o problema é realmente um problema, poderá ter uma solução bem mais simples que, por algum motivo, não estamos a vislumbrar.

Esta abordagem de pensamento não é propriamente um trabalho difícil e o esforço não é garantia de sucesso, porque o esforço em demasia pode levar a padrões rígidos de pensamento e o que se pretende é destreza mental e inteligência aplicada, era o que a minha avó queria dizer com o “olho vivo e pé ligeiro”.

É necessário, ao mesmo tempo, ter a capacidade de relaxar numa abordagem mais despreocupada, mas interessada, como o possível prazer de executar o nosso trabalho na nossa praia preferida, como o sábio faz, e muito bem, na sua pressa vagarosa do querer saber mais com a prudência de auto questionar a sua evolução e a do universo.

Como é isto de pensar original!?
Como posso ver esta questão de outro ângulo-perspetiva!?
Se for apenas um quebra-cabeças verbal, quais são as palavras com duplos significados?
Pôr de parte o preconceito e dizer “estou a dar isto como o mais certo, mas se não o fizer o que devo pensar ou ver”.

É preciso estar disponível para o desafio da mudança de pensamento, ter consciência que o nosso cérebro é uma centena de milhares de milhões de neurónios, capazes de fazer conexão com dezenas de milhares de outras células. Por isso temos uma enorme capacidade de aprender, não devemos cingir-nos a uma única abordagem mental.

Se te consideras uma pessoa lógica e dás preferência às ciências exatas, lembra-te que poderás estar a perder um bem precioso que é a visão de uma flexibilidade mental muito mais alargada, onde terás, certamente, mais que uma forma de pensar, de ver, abordar e solucionar uma questão. Pode ser no trabalho, em família ou no convívio com amigos.

O pensamento, por si só, é o que temos de mais certo em nós, lembra-te, ao criares hábitos de pensamento originais e benéficos para ti, com originalidade marcante para a memória, como a brisa do mar que rejuvenesce o ar, desta forma estarás sempre em genuína e agradável companhia. 

Antes de alguma situação habitual ou inesperada,  se sincero e faz uma pausa e dá abertura à prática do teu pensamento original.


                                                     Celino Barata


sexta-feira, 17 de março de 2017

Pausa || Para Sentir




Pausa || para sentir
Sentir o que verdadeiramente sentimos precisa-se.
Somos um infinito de sentimentos, tão vasto quanto variada em intensidades, vistos diariamente a olho de um mapa de coloração corporal das emoções, este varia numa decalagem, sem cor em estado basal, pouca ativação e descolorado sempre que sentimos tristeza, ao todo irrigado e colorido de laranja avermelhado sempre que sentimos paixão.
Atualmente é enorme a rapidez de comunicação e a informação é tão voraz, que se multiplica a cada dia, este “bombardeamento informativo” é irreversível, ainda está por estudar os seus efeitos cerebrais, no conceito lato na sociedade em que vivemos e para onde caminha o seu contexto social de toda esta mutação constante das formas de comunicar as emoções.
As emoções são demonstradas e vividas nas redes sociais, desde as emoções mais simples às mais complexas, e a verdadeira veracidade das mesmas é uma questão tão complexa, quanto refinada. É a mente humana na forma como comunica a emoção, como seres influenciáveis que somos, as redes sociais, foram criadas para comunicar, informar, sentir rápido, esta rapidez de sentir, ou querer fazer-se sentir no outro, criou uma necessidade. Esta interdependência de um querer aparecer, de se fazer notável para os outros, ou simplesmente combater o medo da solidão, estes meios levam a saltar etapas, as etapas essenciais, para que haja solidez de sentimentos, na hora de nos relacionarmos e sentir na pele e cara a cara.
A regulação sociocultural mexe em grande escala com todos os seres humanos, quer queiramos ou não como seres globais, as problemáticas que hoje um país sente, afeta direta e indiretamente as pessoas de um país longínquo, a globalização deixa-nos uma certeza que estamos todos no mesmo barco que é o planeta Terra.
Mesmo que queiramos negar como mecanismo de defesa, sentimos as catástrofes, a fome e as guerras em países que mal queremos ouvir falar, mas poderíamos ser nós próprios a passar por aquela situação.
Pois é, e se fossemos nós!?
A capacidade empática de nos pormos no lugar do outro, ainda bem que acontece, se não deixávamos de ser humanos, esta empatia é responsabilidade dos neurónios espelho que nos alertam para o sentir do outro, sempre que alguém sofre, pois em algum dia poderei ser eu, e seria tão bom ter auxílio de alguém.
Porém, cada um tem a sua forma de sentir, a sua própria forma de comunicar e de se fazer entender, a sua própria sinestesia em fazer perceber a sua essência.
Sentimos e demonstramos nossas percepções de formas diferentes. Necessitamos aceitar isso.
Precisamos sentir é também admitir que a vida é cheia de surpresas, inclusive no modo como nos vamos sentir em reação a algo, também é preciso estar disponível para que aconteça, para que se deixe tocar e ir em busca do que realmente sentes.
Mesmo as pessoas mais seguras de si, sentem e se derretem quando se deparam com a hora da vulnerabilidade, porque sem partilha não se é ninguém.
Muitas vezes sentimos as emoções diretamente no “corpo”.
Pois bem, já ouviste falar em dores psicossomáticas, sim é verdade emoções com cargas tão negativas que ao não serem resolvidas e direcionadas no sentido de serem libertadas do organismo, estas somatizam-se em dores corporais.
Costumo dizer que falar de sentimentos deveria ser tão natural como a sede, viver, como quem diz, seria a descrição clara e cristalina sem rodeios da narrativa do sentimento de sentir.
Hoje as transformações socioculturais são enormes e imprevisíveis tal como as mutações dos seus valores, tal como disse Zygmunt Bauman acerca das relações humanas, “vivemos tempos líquidos voláteis nada está para durar”...Esta incógnita de interrogação, de insegurança, que o mundo pós-moderno deposita em nós, em que cada pessoa tem que gerir as variadas informações e filtra-las sabiamente, para viver as emoções e sentimentos numa esfera de constante inconstância é complexo, encontrar a homeostasia equilibrada em nós próprios. 
Repara como é difícil fazê-lo:
Descreve para alguém alguma experiência que te tenha despoletado em ti uma emoção de tal forma que te fez sentir especial.
Como por exemplo:
Episódio em que auxiliaste alguém necessitado.
Encontro com a beleza arrebatadora da Natureza.
Ou outros encontros com pessoas ou connosco próprios.
Seja como for, vivenciar e partilhar o teu sentir, é essencial, sentir o nosso infinito de sentimentos diários, mesmo os de carga negativa, que causam dor, podem ser simplificados na hora da partilha do teu sentir com o outro, e é nessa abertura de convivência presencial que a sua assimilação e compreensão podem acontecer naturalmente.
           
                                                            Celino Barata



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Pausa || Para escrever



















Pausa || Para escrever

Não é novidade para ninguém que colocar no papel o que nos vai na alma pode ajudar a minimizar efeitos de acontecimentos traumáticos. O que ainda não se sabia era que, além das feridas emocionais, escrever também pode ajudar a curar feridas físicas. Visto a lógica deste estudo parece-me natural, quando a escrita se torna um bom catalisador de catarse emocional, esta permite uma oxigenação superior do organismo, logo a fortificação do sistema imunitário.

A observação da forma como se escreve desde a forma da grafia de cada letra à forma como se conjugam as palavras pode dizer muito da nossa personalidade e do nosso estado anímico no momento em que o fazemos. Repara que a tua forma de fazer as letras é só tua, é como a tua impressão digital, e que bonita é a caligrafia de algumas pessoas. Importa saber que a escrita acompanhada e dirigida pode ter bons resultados terapêuticos no tratamento de alguns desequilíbrios mentais. 

Escrever à mão, nos dias de hoje, está em desuso, mas é das melhores formas de estimulação cognitiva que temos desde os primórdios grafemas na era do bronze, que o homem tem a necessidade de se comunicar e relatar os acontecimentos. Atualmente a escrita é raro, ser feita em papel, enviar cartas e receber. A maioria da correspondência que nos chega à nossa caixa de correio são contas para pagar ou anúncios para comprar.

Ainda me lembro das primeiras cartas que escrevi e recebi, tanta importância tiveram no meu crescimento.

Agora a escrita passou a ser só o essencial, pequenas frases por mensagem, e-mails, ou somente emojis de emoções. É curioso que antes dos alfabetos (os mais conhecidos eram os hieróglifos egípcios) a comunicação era feita por símbolos, os chamados sinais sagrados. Para dizer boi fazia-se o desenho de um boi. Decifrar a mensagem de um hieróglifo era tão sagrado, quanto secreta tenta ser a mensagem de emojis com uma junção de letras à mistura na transmissão de emoções, nos dias de hoje.

Ao começar a escrever algo, seja o que for, existe sempre o chamado “síndrome da folha em branco” em que parece que é preciso ter a mente completamente limpa para começar. Tal como um pintor quando decide pintar um quadro, precisa de inspiração par dar a primeira pincelada, a primeira gota de tinta a colorizar a tela, a escrita também assim o exige como se a musa da escrita precisasse de ser mimada a cada dia, para que a criatividade e a inspiração não navegue além das margens da folha.

Toda a palavra deve ter vida própria em estado de liberdade, pode estar errada, mesmo sem sentido, no meio, do princípio ao fim, que sempre se divirta, quem a lê, a interpreta, ou a cante em tom de canção, e dance a quem fez aquecer o coração.

Escrever é um momento criativo com asas sem limites de céu, é aquele encontro contigo mesmo, em que a tua própria voz rediz o pensamento em cada palavra.

Como vos digo, cada um saberá a sua forma de o fazer, não sou um escritor por excelência, sabendo das minhas limitações, para mim escrever é uma luta como o é para todos os disléxicos que encalaram os erros. Passei a encará-los sem medos, já sem qualquer nervosismo, ou sentimento de inferioridade perante o erro por mais repetitivo que seja, “o disléxico puro sabe que há palavras que se escrevem assim, mas erra na mesma porque a velocidade de processamento do que está a pensar é mais rápido que a capacidade de escrita”. Sem querer desculpar-me, o importante é comunicar, o meu corretor “Julix-llabela” (nome fictício). Diz que eu a escrever sou como o Nobel José Saramago, não existem regra gramaticais, vírgulas e pontos finais. Não há limites e por vezes saio da própria folha em branco. Nesta tentativa de perceber a dislexia de próximos e longínquos temos coisa em comum, uma necessidade enorme de nos comunicarmos, mas a maioria evita a escrita, por ser, naturalmente, um esforço acrescido.

Qual é a tua forma de escrever!? Gostava mesmo de saber, vou só ler sem tentar perceber como pensas ou é a tua personalidade, só se me pedires muito. Somente porque escrever é isso mesmo, uma partilha com os outros, o que sentimos no nosso íntimo.  

Há quanto tempo não escreves uma carta para alguém!?

Ou simplesmente não registas um acontecimento importante!?

Ter um caderno de bolso ajuda a registares algumas ideias para futura escrita. Sabes que escreveres descrições de situações, sensações ou emoções “in loco” são muito mais fidedignas com a tua memória, este relato e a recordação futura fica preservada.
Este exercício de registares memórias presentes, pode auxiliar a tua memória no futuro. Escreve e vais ver a tua evolução, como ser comunicativo, o que escreves hoje ou a capacidade que descrever o que sentes hoje será diferente de um dia mais à frente, mesmo que a situação ou emoção seja parecida.
 
Faz uma pausa e permite-te escrever algo nem que seja só para ti, mas dá-te esse presente, que decerto vai ser uma boa recordação futura. O que escreves, apesar de não ser tão rápido, mas pode ser mais descritivo que uma foto ou uma selfie de uma situação. Acreditas!? 

Boa escrita.

Celino Barata